sábado, 24 de julho de 2010

2 - Progresso

O progresso não se limita somente ao crescimento econômico, nem apenas à evolução tecnológica, mas também à melhoria no bem-estar social. Este último pode até ser discutível. Entretanto, nota-se que a melhoria das condições econômicas e a ascensão da tecnologia com o tempo são incontestáveis. E, ao se falar em evolução, tanto na parte econômica quanto na tecnologia e na ciência, não se pode deixar de mencionar um dos grandes marcos na história: a revolução industrial.

A primeira etapa da revolução ocorreu por volta do século XVIII. Neste período, os trabalhadores passaram a trabalhar para alguém, perdendo portanto, o controle dos lucros obtidos e dos processos de produção. A mecanização da indústria pelas máquinas a vapor, aliada à invenção da locomotiva (que por sua vez foi muito importante para o transporte de pessoas e mercadorias), mudaram o modo de vida daquela época.

A segunda etapa se deu na segunda metade do século XIX. Desta vez, porém, o que teve papel fundamental foi o desenvolvimento da indústria química e elétrica, e o trabalho com petróleo e aço, já que não houve mudanças significativas no modo de produção. Pode-se dizer então que nesta fase da revolução industrial, houve apenas um aprimoramento das técnicas desenvolvidas na primeira fase.

A terceira e última fase da revolução industrial é a qual o ser humano vive atualmente. Na medida em que novos contextos as exigiam, as teorias organizacionais foram surgindo como novas alternativas. Começando com o fordismo, criado por Henry Ford. Esse sistema de produção revolucionou a indústria no início do século XX e permaneceu como modelo padrão até a década de 70, quando foi superado pelo toyotismo (ou japonização do fordismo).

Em 5 de julho de 1723, em Kirkcaldy na Escócia, nasce Adam Smith. As revoluções industriais trouxeram muitas dúvidas, e foi justamente o pensador escocês, considerado um dos fundadores das ciências econômicas, quem tentou responde-las. Além disso, sua posição liberal foi extremamente influente e decisiva para o pioneirismo da revolução industrial nos países britânicos.
Para ele, a posição individualista do ser humano era benéfica para todos, pois quando alguém trabalhava pensando em si mesmo, o fazia da melhor maneira possível. A busca pelo lucro era, portanto, um fator que beneficiaria à sociedade.

Entretanto, pode-se atribuir a crise ambiental atual ao descaso do ser humano com o meio ambiente em consequência da busca incessante pelo lucro, tão defendida por Adam Smith. Nota-se que a posição individualista, neste caso, não beneficia ninguém. Pelo contrário. A degradação do meio ambiente prejudica a todos, em custo do acúmulo de capital por parte de algumas empresas.

Chega-se então a um impasse. Pode-se falar de progresso como um todo, sendo que o bem-estar social se limita às pessoas com alto poder aquisitivo, em detrimento dos menos favorecidos economicamente, que sofrem cada vez mais com os efeitos das agressões ao meio ambiente? O que se pode afirmar é que o progresso econômico e tecnológico está inteiramente ligado à crise ambiental.

3 - Crise Ambiental

3.1 Um apanhado rápido sobre a crise ambiental

A crise ambiental é o conjunto de ações danosas que o homem vem causando ao longo de sua existência. Essas ações são realizadas para suprir suas necessidades da população, que aumentam a cada dia. São atitudes como utilização de agrotóxicos, o desmatamento desenfreado, e as queimadas. Leva-se em conta também que cada nação esta sempre lutando por seu desenvolvimento, o que acarreta na poluição, e na grande degradação do meio ambiente. Alem disso, a má educação da sociedade com o meio ambiente acarreta na distribuição de lixos químicos domésticos, industriais e hospitalares, diariamente depositados em locais inadequados e sem o devido tratamento para tais.

3.2 A origem da crise

A crise ambiental teve origem entre a Idade Média e Moderna, especialmente no período da Revolução Industrial, quando se começou a utilização exagerada de recursos naturais do meio ambiente em nome do capital, do lucro e do desenvolvimento. Em nome do ultimo, há a destruição de florestas, poluição dos rios, do solo, do ar, com a finalidade de gerar riqueza. Ou seja, o homem retira os recursos naturais para satisfazer alem de suas necessidades, e desejos, os interesses econômicos, fazendo da destruição algo cada vez maior.

3.3 Consequências da crise

São inúmeras as consequências da crise, como o aquecimento global, o efeito estufa, poluição do ar, alterações climáticas, entre outros. A natureza é capaz de reciclar e recuperar algumas delas, entretanto dependendo do grau e tipo de destruição os danos irreversíveis, o que preocupa a população para alguns recursos daqui há alguns anos.
O aquecimento global é o fenômeno causado pela liberação de gases dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que forma uma camada em torno do planeta, impedindo que a radiação solar, que refletiria automaticamente na superfície em forma de calor, é o chamado efeito estufa, ou seja, dióxido de carbono jogado na natureza. Ele é o maior causador das últimas catástrofes que vem assustando o mundo. Dentre as várias causas que este fenômeno vem causando pode citar as alterações climáticas, o desequilíbrio do regime de chuvas, o derretimento acelerado das geleiras do Ártico. O desmatamento e a queimada de florestas e matas também colaboram para o processo. Os raios do Sol atingem diretamente o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global.
O efeito estufa é a elevação da temperatura da Terra em razão do alto nível de liberação de dióxido de carbono (CO2), entre outros gases. É causado pelos gases provenientes da queima de combustíveis fósseis, que permitem que a radiação solar penetre na atmosfera, retendo grande parte dela e gerando aumento de temperatura. Este aumento acarreta no derretimento das geleiras polares e conseqüentemente com o aumento do nível do mar, que juntamente com a temperatura, causa freqüente furacões e tornados.
A poluição do ar gerada atualmente é resultado, principalmente, da queima de combustíveis fósseis como, por exemplo, carvão mineral e derivados do petróleo, como gasolina e diesel. A queima destes produtos lança uma grande quantidade de monóxido de carbono e dióxido de carbono na atmosfera. Ambos os combustíveis são responsáveis pela geração de energia que alimenta os setores industriais, elétricos e de transportes de grande parte das economias do mundo.

4 - Crise ambiental e Progresso - Análises

4.1 Crise e modernidade técnica

Observando a história, podemos buscar alguns fatos no passado, como a tragédia da Ilha dePáscoa, o desmatamento na Grécia antiga ou a perda de recursos biológicos da Europa Medieval, evidenciando que o processo de mudança ambiental e transformação da paisagem não é absolutamente um fenômeno de hoje.

O domínio da técnica cresce a passos largos desde o início da Idade Moderna. Na atualidade, convivemos com duas derivações desse contexto: as novas tecnologias de informação e a crise ambiental. A busca pelo conhecimento que permitiu a tecnologia da informação é a mesma que revolucionou os processos industriais geradores de externalidades negativas. Simultaneamente ao fato de convivermos com a possibilidade de um desastre ecológico, existe também a viabilidade de se aplicar e controlar os avanços da ciência e da tecnologia para construir um mundo mais sustentável - ambiental e sócio-economicamente -, pois as novas tecnologias de informação podem desempenhar importante papel para mitigar os impactos ambientais da produção industrial, ao estimular a produção de mais conhecimento e no desenvolvimento de tecnologias mais apropriadas. A técnica não deve ser alvo apenas de críticas negativas, mas de uma proposta positiva, que aborde critérios para fazer escolhas dentro do mundo técnico[1].

Pensando de modo ecológico, pode-se entender a crise ambiental como o desequilíbrio causado pelo crescimento sem controle das populações e, consequentemente, pelo aumento da necessidade de extração de recursos e bens naturais para abastecer estas grandes populações no determinado habitat. Mas o ambiente deve ser analisado além ecologia, é “complexidade do mundo; é um saber sobre as formas de apropriação do mundo e da natureza através das relações de poder que se inscrevem nas formas dominantes do conhecimento” (LEFF, 2002, 17).

Os sinais de ameaça da crise aparecem em problemas específicos, tais como o (a) desequilíbrio da produção de alimentos e do crescimento da população humana, (b) a redução da produtividade de vastas áreas de terra, (c) o mau uso e a poluição das águas, (d) a mudança gradual dos climas regionais e globais como resultado das atividades urbanas e das técnicas agrícolas, (e) a destruição de importantes espécies da fauna selvagem e a alteração das comunidades naturais e a (f) proliferação de organismos transmissores de doenças e epidemias. Estes problemas são sintomas de distúrbios de processos efetuados a nível de Biosfera como um todo, distúrbios esses capazes de reduzir a níveis mortais a qualidade e a produtividade do meio natural mundial[2].

A população humana atingiu um nível em que as exigências de recursos naturais requerem uma exploração maciça de todos os ambientes terrestres, fluviais e marítimos. A exploração de certos recursos alimentares tais como a pesca marítima (Borgstrom, 1970) está se aproximando de um nível máximo possível. Ao mesmo tempo, o homem mostra-se profundamente ignorante em relação aos fatores básicos responsáveis pela produção destes recursos e relativamente às consequências, a longo prazo, de seus métodos de exploração.

A tecnologia acarretou maiores problemas além dos da super exploração. As atividades agrícolas, industriais e urbanas tornaram-se agentes de padrões globais de poluição, alguns dos quais ameaçam os processos básicos da Biosfera. A tecnologia chegou a um ponto tal que novos desenvolvimentos podem levar a consequências prejudiciais, de caráter universal, antes que possam ser avaliados seus efeitos. (Commoner, 1966).

A ciência e a tecnologia são as instituições centrais da reforma ecológica; elas são as principais instituições de uma economia ecologizada. Enquanto uma das principais causadoras da crise ambiental, a ciência e a tecnologia têm suas trajetórias alteradas: são redirecionadas para o desenvolvimento de processos produtivos e produtos ambientalmente mais sadios e que proporcionem a desmaterialização da produção, ou a desconexão ente fluxos materiais e fluxos econômicos[3].

4.1.1 Crise ambiental e progresso segundo os conceitos de Andrew Feenberg.

Uma das grandes preocupações de parte da filosofia e da sociologia, atualmente, é o desenvolvimento de uma teoria crítica da tecnologia que abranja as condições contemporâneas. Tal preocupação é tributária das correntes dos Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia que proliferaram a partir dos anos 1980 [4]. Sendo assim, pesquisas atuais a respeito dessa nova teoria concentram-se em explicar onde e como estão fincadas as raízes sociais do conhecimento e da tecnologia, objetos pertencentes a um mundo atual centrado no poder, no mercado e na democracia.

A obra de Andrew Feenberg, ao incorporar criticamente a contribuição dos principais pesquisadores contemporâneos dos estudos sociais da ciência e da tecnologia à discussão que havia ficado estagnada nos anos de 1970, quando pensadores marxistas apontavam as implicações da adoção de uma tecnologia capitalista, é imprescindível para aqueles que percebem a necessidade de construir outro futuro.

O texto “Racionalização Subversiva: Tecnologia, Poder e Democracia” é introduzido por Feenberg de forma a citar os limites da teoria democrática, na qual a tecnologia, segundo o autor, é uma das maiores fontes de poder na sociedade moderna e “quando as decisões que afetam nosso dia-a-dia são discutidas, a democracia política é inteiramente obscurecida pelo enorme poder exercido pelos senhores dos sistemas técnicos: líderes de corporações, militares e associações profissionais de grupos como médicos e engenheiros”[5].

Este conceito defendido por Feenberg, de que a teoria crítica depende da participação democrática, tem como principal empecilho o fato de a tecnologia adotada atualmente pela sociedade ter suas bases formadas pelo modelo capitalista vivenciado por todo o mundo. A seguir, apresentaremos um trecho de uma entrevista realizada no Centro Cultural de Belém do Pará, em 27 de janeiro, durante o I Fórum Mundial Ciência e Democracia, realizado como parte das atividades do Fórum Social Mundial 2009 (Traduzida por Sylvia Gemignani Garcia), em que o próprio autor expõe sua idéia a respeito dessa democratização:

A teoria crítica depende da participação democrática. Como você imagina essa participação hoje em dia?

“Bem, precisamos evitar esquemas formalistas. Nós não vamos pedir à população que vote no tipo de automóvel que deseja para o ano que vem. Penso que a maior parte da participação é informal. Parte dela é, com certeza, legalista, para forçar as pessoas a obedecer a lei ou a pagar pelos danos que fizeram. Há outro âmbito de participação pública, que toma a forma de movimentos de protesto e controvérsias na esfera pública. Existem, ainda, consultas organizadas pelos governos, que eles chamam 'júris de cidadãos' ['citizens juries'] em certos países. Na Holanda e na Noruega, por exemplo, reúnem-se pequenos grupos de cidadãos com especialistas, para que eles sejam informados sobre tecnologias específicas. Há muitas modalidades de intervenção e penso que todas juntas estão criando uma esfera pública técnica, na qual a tecnologia torna-se mais um tema sobre o qual as pessoas falam no discurso político. Não há mais um Deus, a quem se deve obedecer” [6].

Segundo Feenberg, alguns teóricos afirmam que a tecnologia não é a responsável pela concentração do poder industrial e que esta questão está relacionada com a vitória do capitalismo e das elites, historicamente falando. Mesmo concordando que a tecnologia moderna tem contribuído para a administração autoritária, esses teóricos dizem que em outro contexto social, a tecnologia poderia ser operacionalizada de forma democrática.

Afim de que a sociedade moderna se enquadre na participação democrática sugerida por Feenberg, serão necessárias tanto mudanças técnicas radicais quanto mudanças políticas. E para afirmar as potencialidades democráticas da indústria moderna será necessário desafiar as premissas do seu determinismo, conhecidas como tese do progresso unilinear e a tese de determinação pela base.

“O determinismo se baseia na suposição de que as tecnologias têm uma lógica funcional autônoma que pode ser explicada sem se fazer referência à sociedade. Presumivelmente a tecnologia é só social apenas em relação ao propósito ao qual serve, e propósitos estão na mente do observador” [5].

A tese do progresso unilinear baseia-se na idéia de que o progresso técnico parece seguir um curso fixo de configurações menos avançadas para as mais avançadas. Sendo assim, o progresso técnico procede a partir de níveis mais baixos de desenvolvimento para os mais altos e este desenvolvimento segue uma única sucessão de fases necessárias. Entretanto, uma análise mais aprofundada do tema nos permite concluir que o desenvolvimento tecnológico não é unilinear, pois se ramifica em muitas direções e poderia alcançar níveis geralmente mais altos ao longo de mais de um caminho diferente.

Já a tese de determinação pela base afirma que as instituições sociais têm de se adaptar aos "imperativos” da base tecnológica. Entretanto, novamente analisando, percebe-se que o desenvolvimento tecnológico não é determinante para a sociedade mas é sobredeterminado por fatores técnicos e sociais.

Sendo assim, as diferenças do modo como os grupos sociais interpretam e usam objetos técnicos é que vai determinar seu destino e suas melhorias. Dessa forma, percebemos a importância em se estudar a situação sócio-política dos grupos sociais, para assim, entender o desenvolvimento tecnológico.

Segundo o autor, “As tecnologias são selecionadas a partir destes interesses entre muitas possíveis configurações. Na orientação do processo de seleção estão códigos sociais estabelecidos pelas lutas culturais e políticas que definem o horizonte sob o qual a tecnologia atuará”[5].

Portanto, as tecnologias são perfeitamente adaptadas às mudanças sociais e o “código técnico” do objeto é responsável pela mediação do processo de escolha das possibilidades apresentadas para o desenvolvimento.

A teoria proposta por Feenberg sugere a possibilidade de revolucionar o conceito de tecnologia. Contudo, os críticos distópicos argumentam que apenas pelo fato de se procurar eficiência ou efetividade técnica já se faz uma violência inadmissível aos seres humanos e à natureza, destruindo a integridade de tudo isso. Cada vez mais esta crítica ganha forças, partindo da observação da realidade e relacionando-a com os perigos cada vez mais próximos com que a tecnologia moderna ameaça o mundo de hoje.

Entretanto, a forma como a tecnologia é aplicada depende do modo em que as demandas contemporâneas são interpretadas. Como por exemplo: sabe-se da necessidade de se fazer uma tecnologia que respeite o meio ambiente, assim como diversas outras necessidades sociais demandam um avanço tecnológico capaz de colaborar economicamente e, principalmente, socialmente, sem agredir os princípios da vida em sociedade.

A definição de tecnologia presente em nossa sociedade atual corresponde a um meio de obtenção de lucro e poder, fazendo com que a preocupação ambiental se torne um tipo de resistência à forma de tecnologia desenvolvida. Para que essa concepção seja mudada, faz-se necessário compreender a tecnologia de modo muito mais abrangente, baseada na responsabilidade para os contextos humanos e naturais da ação técnica.

Dessa forma, o progresso advindo de ações tecnológicas, quando democratizado, não se atém apenas as imposições do mundo material capitalista, e sim a trazer benefícios essenciais demandados pela sociedade de forma a pensar em qual a melhor maneira que pode ser introduzido sem ultrapassar os limites culturais e ambientais, que são fundamentais para que haja harmonia entre o homem e a natureza.

A crise ambiental vivida atualmente é um reflexo deste progresso centrado nas mãos dos senhores do sistema técnico, que ainda desenvolvem a tecnologia sem estudar intensamente os impactos sociais e ambientais que serão causados, ou até mesmo sabem as conseqüências de sua implementação, mas estão profundamente envolvidos com uma questão muito mais econômica do que humanitária, herdada da necessidade compulsiva por avanços tecnológicos presente no sistema capitalista vivenciado pelo mundo atual.

Agora, conhecendo a teoria proposta por Feenberg, será que é possível reverter este quadro de desastres que é acentuado a cada dia? Será que se as pessoas tivessem consciência que seu desejo por bens não fundamentais à vida o meio ambiente não seria melhor preservado? Será que reivindicando a democracia, o progresso traria não só benefícios lucrativos? Não se pode afirmar nada, pois sua teoria depende do entendimento e do objetivo do ser individual para que venha a se concretizar em benefício coletivo, da sociedade como um todo. O que se pode dizer é que sua obra fornece um guia seguro para pesquisadores e fazedores de política que, no mundo inteiro, buscam uma visão crítica sobre a tecnociência que contribua para evitar as catástrofes sociais, econômicas e ambientais que afligem nossa civilização.

5 - Referências Bibliográficas

[1]Oliveira, Ricardo Devides. CRISE AMBIENTAL COMO CRISE DA RACIONALIDADE CIENTÍFICA MODERNA: UMA REFLEXÃO FILOSÓFICA PARA UM OLHAR HOLÍSTICO À CIÊNCIA GEOGRÁFICA. Editora da UNESP, 2009. São Paulo


[2]http://www.photographia.com.br/texto1.htm último acesso em 21/7/2010

[3]Borinelli, Benilson. Instituições e Crise Ambiental: Contribuições da Sociologia Ambiental.

Artigo disponivel em http://www.ssrevista.uel.br/c-v9n2_benilson.htm - último acesso em 21/7/2010

[4]http://www.sfu.ca/~andrewf/coletanea.pdf – último acesso em 19/7/2010


[5]FEENBERG, Andrew. Racionalização Subversiva: Tecnologia, Poder e Democracia.


[6]http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1678-31662009000100009&script=sci_arttext – último acesso em 19/7/2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quem irá lucrar com a Copa do mundo?

A copa do mundo deste ano está sendo realizada na África do Sul. O país é considerado o mais desenvolvido do continente africano, e possui inúmeras riquezas naturais, como ouro, platina e diamante. Mesmo assim, metade dos quase 50 milhões de habitantes vivem abaixo da linha da pobreza, 40% da população economicamente ativa se encontra desempregada, e o número de mortes por AIDS e portadores de HIV atinge índices alarmantes.

Mas, ao invés de utilizar dos recursos públicos para atenuar o sofrimento do povo, o governo da África do Sul resolveu dar ouvidos à FIFA e sediar a Copa do Mundo, acreditando que o país atrairia muito dinheiro e investimento estrangeiro. O governo então se endividou, e utilizou os recursos do povo para construção de estádios e infraestrutura para o Mundial.

No total, planejava-se gastar com a Copa 2,15 bilhões de dólares. Porém, o montante já ultrapassou os 8 bilhões.

Com 8 bilhões de dólares, quantas vidas poderiam ser preservadas?

Mas a FIFA não se importa com isso. O lucro da FIFA com a Copa do mundo, referente ao investimento dos patrocinadores e direitos de transmissão somam 4,27 bilhões de dólares!
Para proteger seus patrocinadores (Coca-Cola, Adidas, Castrol, Visa e Sony), a FIFA exigiu que o governo reprimisse duramente qualquer pessoa que tentasse comercializar produtos que não tivessem sua autorização oficial. Resultado: Trabalhadores que tinham suas barracas montadas há anos e dependiam da venda de seus produtos para sobreviver, foram expulsos por fiscais da FIFA e estão proibidos de trabalhar durante a Copa.

Na realidade, a Copa do mundo só fez com que a desigualdade se agravasse. A prova disso é Johannesburgo. Os investimentos do governo se concentram nos bairros em que a população é rica. Nesses locais foi construído metro novo, colocadas novas linhas de ônibus, praças e melhorada as redes de água e energia.

Outra constante no futebol atual é a comercialização de jogadores à preços exorbitantes. O jogador é tratado como mercadoria, e os clubes como fontes de renda altamente lucrativas. É por isso que vemos cada vez mais a presença de grandes investidores nos clubes de futebol, o que tem motivado inclusive, à união de torcedores rivais em alguns países contra a privatização de seus clubes. Na Inglaterra, torcedores do Manchester United e do Liverpool se uniram para tal, exibindo cartazes com as mensagens "Man Utd pelo amor, não pelo dinheiro" e "Fora Gillet e Hicks " (donos do liverpool).

Segundo o jornalista e geógrafo Paulo Favero, "entidades internacionais reguladores do esporte, como a FIFA e a CONMEBOL, organizam o futebol sempre visando o lucro. O jogador vira uma mercadoria que pode ser comprada e vendida em qualquer lugar do mundo, independente das leis trabalhistas de qualquer país. Nenhum outro profissional tem esse acesso tão facilitado".

Diante de tantos negócios e lucros, os trabalhadores sul-africanos perceberam cedo que para conquistar seus direitos, tinham que se organizar e ir à luta. No ano passado, diversos operários realizaram greves e pararam por diversas vezes a construção dos estádios para a Copa exigindo aumento nos salários. E não foi só isso. Em praticamente todos os setores houve paralisações por parte dos trabalhadores.
Tais greves surpreenderam a FIFA e seus patrocinadores, que não têm mais certeza com relação aos lucros nessa Copa. Porém, de uma coisa podem ter certeza: o combativo povo sul-africano, o mesmo que expulsou os ingleses de seu país, conquistou a independência e lutou contra o apartheid, está novamente de pé. Desta vez, lutando contra os causadores do apartheid social, a classe capitalista.

Texto baseado no texto do jornal "A verdade", escrito por Lula Falcão, membro do comitê central do PCR

terça-feira, 18 de maio de 2010

Países com boa parte da população ateista, são os mais pacíficos

O global peace index, é um estudo estatístico que mostra os países mais pacíficos do mundo. Através de seus dados, pode-se notar que os países menos violentos, são os que tem grande parte de sua população ateista, ou seja, que não segue nenhuma religião. Isso porque as religiões passam mensagens de amor e paz. Esquisito não?

A tabela pode ser conferida nesse site http://www.visionofhumanity.org/gpi/results/rankings.php

O ateísmo é visto de maneira ruim pelos crentes, fato que não consigo entender. Como disse sabiamente o intelectual Richard Dawkins, "Imagine um mundo sem ataques suicidas, sem o 11 de setembro, sem as Cruzadas, sem a caça às bruxas, sem a conspiração da pólvora, sem guerra entre israelenses e palestinos, sem massacres sérvios/croatas/muçulmanos, sem a perseguição de judeus como 'assassinos de cristo', sem os problemas da Irlanda do norte, sem assassinatos em nome da honra, sem evangélicos televisivos de ternos brilhantes e cabelo bufante tirando dinheiro dos ingênuos, sem o talibã para explodir estátuas antigas, sem decapitações públicas aos tidos como blasfemos e sem o açoite da pele feminina pelo crime de ter se mostrado em um centímetro. Imagine um mundo sem religião!"

Pesquisas mostram que, ao questionadas sobre confiança para presidir um país, os ateus ficaram em último lugar. Por que? As pessoas nunca verão ateus matando seus semelhantes em nome de seres divinos, jogando aviões em prédios, muito menos criando guerras por territórios sagrados.

Não crer numa vida após a morte, é dar muito mais valor à esta vida, a vida real. Não ter crença religiosa é se libertar de todos os dogmas, de toda a culpa, de todo o medo. É ser livre! É entender cientificamente como a natureza é bela, como o cosmos é intrigante, e como as coisas realmente funcionam.

Outro vídeo interessante é esse http://www.youtube.com/watch?v=WzkODc8cexY
Podemos ver o quão agressivos podem ser os crentes.

Finalizo então com partes da música mais famosa de John Lennon:
"(...) imagine todas as pessoas vivendo em paz, vivendo para hoje, sem nada pelo que lutar ou morrer, e sem religiões também"

Abraços





domingo, 9 de maio de 2010

As mentiras contadas sobre a URSS

Me lembro do final do ensino fundamental, e do começo do ensino médio. Quando aprendia sobre socialismo, percebia seus aspectos bons. Entretanto, logo em seguida, o professor fazia questão de dizer que tudo aquilo era utópico, ou então dizer que o socialismo também trazia mortes, citando campos de trabalhos forçados do "gulag" da União Soviética. Aquilo me tirava totalmente as esperanças de achar um modelo político "perfeito".

Porém, a história contada dos campos de trabalho forçados e das possíveis mortes que ocorreram lá, como bem escreveu Mário Sousa, são diferentes da história real.
Defensores do facismo, conservadores e sensacionalistas, gostam de divulgar números cada vez mais absurdos sobre as mortes "provocadas" pelo socialismo.

A começar pela Alemanha de Hitler, que tinha um grande interesse na Ucrânia. Hitler sabia que a conquista de áreas da União Soviética (como no caso da Ucrânia) exigia um combate com a própria URSS. Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler, deu então início à uma campanha contra a URSS, denunciando Stálin por deixar camponeses sem comida, a fim de lhes mostrar que o socialismo deveria prevalecer. Um falso genocídio, amplamente divulgado, seguindo os interesses nazistas.

Em seguida, William R. Hearst, filho de milionário industrial e que também defendia ideais nazistas, começou uma forte campanha de desinformação.
Hearst era o que podemos definir como sem caráter. Comprava todos seus repórteres, fazendo-os criar notícia, mesmo quando não havia nenhum acontecimento que merecesse uma.
Considerado pai da imprensa marrom (sensacionalista), Hearst tinha uma grande arma na mão: os veículos de comunicação. Ele era proprietário de 25 jornais diários, 24 semanários, 12 estações de rádio, 2 serviços de notícias internacionais, além de muitas outras empresas.
Após visita a Hitler, seus jornais passaram a divulgar inúmeras "revelações" a respeito do comunismo soviético. Uma delas dizia respeito justamente aos mortos na Ucrânia, com a seguinte manchete: "Seis milhões de pessoas morrem na União Soviética".

Na realidade, havia acontecido no começo de 1930 na URSS uma grande luta de classe entre camponeses e os ricos proprietários de terra chamados "Kulaks". Essa luta, que envolvia direta ou indiretamente 120 milhões de camponeses, levou à uma instabilidade na produção agrícola e à falta de alimento em algumas regiões. A falta de comida enfraquecia as pessoas, de forma a deixá-las vulneráveis à doenças epidêmicas, que naquela época eram muito comuns.

"A campanha de desinformação nazista a respeito da Ucrânia não morreu com a derrota da Alemanha nazista na Segunda guerra mundial. As mentiras nazistas foram assumidas pela CIA e pelo M-15 e sempre tiveram um lugar proeminente garantido na guerra da propaganda contra a União Soviética" - Mário Sousa

Outro importante defensor do anti-comunismo e tão mau caráter quanto Hearst foi Robert Conquest. Este, é um dos que mais escreveram sobre as mortes na Ucrânia, além de ser o grande criador de praticamente todos os mitos relacionados à União Soviética. Utilizava como fonte de informação ucranianos exilados nos EUA e pertencentes a grupos de direita.

Seu trabalho deu resultado. Em 1986 foi contratado por Reagen em sua campanha presidencial, para preparar a população norte americana para uma invasão à União Soviética.
Conquest trabalhou para o Departamento de Pesquisa de Informações (que na verdade deveria se chamar Departamento de desinformação do Serviço Secreto Britânico). O trabalho de Conquest era contribuir para a "história negra" das reportagens fabricadas sobre a URSS, distribuída entre as pessoas capazes de manipular a opinião pública.

Além dos autores citados, Alexander Soljenitsin também se destacou por semelhante trabalho. Ficou famoso com seu livro, The Gulag Archipelago. Como havia nascido na Rússia, tinha grande credibilidade em outros países, principalmente nos EUA. Sua postura sempre foi conservadora. Foi usado pelos capitalistas para difundir as idéias anti-comunistas, e o fez com louvor. Entretanto, foi deixado de lado a partir do momento em que sua postura fascista deixou de ser vantajosa para os mesmos.
Soljenitsin foi responsável por publicar um número absurdo de mortos na União Soviética devido ao socialismo - mais de 100 milhões!

Podemos concluir então, que a mídia tem sido grande aliada dos capitalistas. Enquanto não aguçarmos nosso senso crítico, para distinguir entre o que é verdade e o que não é, viveremos nesse mundo fictício criado pelos donos invisíveis do mundo.
Tenham em mente que por trás de toda pesquisa, de toda ação política, de toda guerra, sempre há um interesse não divulgado. Temos que nos atentar à isso, e não encarar mensagens como essas como sendo parte de teorias conspiratórias!

Temos que nos conscientizar que os manipuladores irão utilizar todos os meios para nos convencer que o que fazem é sempre a coisa certa. Sempre irão utilizar todas as maneiras possíveis para nos manter sob domínio. As greves, as revoluções, a luta por nossos direitos, não devem deixar de existir!



Abraços