quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Professores da Usp escrevem carta ao governo

Vi no blog do Moraes e resolvi postar aqui também. Se puderem, divulguem!

Nós, professores da Universidade de São Paulo, preocupados com o futuro de São Paulo, vimos por meio deste apresentar nosso total repúdio à política pública urbana que vem sendo implementada no Município, denominada “Revitalização da Marginal do Rio Tietê”, que prevê a construção de seis novas faixas de rolamento (três de cada lado) nessa via, consumindo R$ 1,3 bilhão em investimentos do Governo do Estado, da Prefeitura do Município de São Paulo, e das concessionárias das rodovias que usam o trajeto da Marginal.

Tal obra repete práticas de planejamento equivocadas, que levaram a metrópole ao colapso atual. Ao invés de reverter tal lógica, prioriza o transporte individual em detrimento do transporte coletivo, reproduzindo uma política excludente, além da triste tradição brasileira de obras vistosas que beneficiam a minoria e os setores especializados da construção civil. Ela se opõe frontalmente aos princípios de priorização do transporte coletivo sobre o individual constante do Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo e dos Planos Regionais Estratégicos das Subprefeituras.

O mais inaceitável é que os dados técnicos ratificam esta urgente e necessária priorização do transporte coletivo. A Pesquisa OD 2007, realizada pela Companhia do Metrô, mostra que: a taxa de motorização da Região Metropolitana é de menos de 20 veículos para cada cem habitantes; metade das famílias da região metropolitana não possui automóvel, parcela essa na qual se concentram as de mais baixa renda; e que um terço das 37,6 milhões de suas viagens diárias ainda é feita a pé, em função das péssimas condições sócio-econômicas da população. As viagens de automóvel correspondem a apenas 11,2 milhões, ou seja, aproximadamente 30% do total.

Se somarmos os gastos de todas as grandes obras viárias realizadas nos últimos 15 anos e daquelas previstas para o Centro Expandido da capital, aonde se concentram os estratos de maior renda, chega-se ao montante de vários bilhões de reais, valor mais que suficiente para a implantação de toda a Linha 4 – Amarela do metrô.

A Cidade do México, tomando um exemplo com alguma similaridade com São Paulo, iniciou o seu metrô na mesma época que nossa capital. Atualmente, apresenta uma rede com 202 km de extensão, face aos tímidos 61 km do metrô de São Paulo. Apesar da aceleração recente do ritmo das obras, o incentivo ao transporte coletivo é insuficiente, pois, mantendo-se o ritmo atual, serão necessários ainda assim aproximadamente 20 anos para alcançarmos a quilometragem da cidade do México.

Por outro lado, o sistema de trens, embora tenha uma quilometragem mais extensa que a do metrô, apresenta serviço irregular, com índices de conforto baixíssimos, espremendo seus usuários em uma concentração de 8,7 passageiros por metro quadrado nos trechos mais carregados no horário de pico, segundo dados da CPTM para maio de 2009. E mesmo o Metrô, que já foi fonte de orgulho quando da sua inauguração, ganhou o triste primeiro lugar em lotação entre todos os metrôs do mundo, segundo reportagens recentes.

Por fim, ressaltamos os problemas ambientais e de saúde publica resultantes dessa opção pelo transporte individual, que consome enorme quantidade de combustível fóssil, sendo que a emissão de gases poluentes por pessoa transportada é bem maior que a produzida pelo transporte público que se utiliza do mesmo combustível. Pesquisas do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP demonstram que a poluição é responsável por 8% das mortes por câncer de pulmão na cidade e que 15% das crianças internadas com pneumonia na rede hospitalar são vítimas da má qualidade do ar na cidade. Mesmo o recente Programa de Inspeção Veicular não consegue resolver esse problema em vista do crescimento da frota de veículos da metrópole que é de 10% ao ano. Além do mais, as obras da Marginal deverão ter impacto metropolitano e regional, porém foram licenciadas apenas no âmbito municipal.

Esse fabuloso investimento em um urbanismo rodoviarista em detrimento da construção de um sistema de transporte público amplo, eficiente e limpo, que atenderia à maioria da população, é um assustador retrocesso, que caminha na contramão da atual preocupação mundial com o meio ambiente. Acreditamos que as políticas públicas urbanas devam ser ambientalmente responsáveis e pautadas pelo atendimento das demandas da maior parte da sociedade. Políticas como aqui apontadas reforçam o caráter segregacionista da nossa cidade, privilegiando os estratos de maior renda e relegando a maioria da população a condições precárias de transporte e mobilidade, com danos ambientais para todos os cidadãos da metrópole. Por fim, esta obra não resolverá os problemas de transito da cidade, e muito menos da própria Marginal do Tietê.

Alexandre Delijaicov
Ana Cláudia C. Barone
Carlos Egídio Alonso
Catharina P. Cordeiro S. Lima
Eduardo A. C. Nobre
Erminia Maricato
Eugenio Queiroga
Euler Sandeville
Fábio Mariz Gonçalves
Flávio Villaça
João Sette Whitaker Ferreira
José Tavares Correia de Lira
Maria de Lourdes Zuquim
Maria Lucia Refinetti Martins
Nabil Bonduki
Paulo Sérgio Scarazzato
Paulo Pellegrino
Raquel Rolnik
Roberto Righi
Vladimir Bartalini

A menina que calou o mundo em 5 min.

Apenas assistam...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz natal?

O que tem de feliz o natal?

Ah claro, família reunida. Que alegria! Os problemas, as desavenças, as brigas do passado...tudo é perdoado. Nos concentramos em um local, comemos bastante e trocamos presentes. Ouvimos de nossos avós mais religiosos que o menino Jesus nasceu nesse dia, e a ele devemos homenagear.

Após o natal comemoramos o ano novo, e depois de alguns dias de festa nossas vidas voltam ao normal.

O que é uma vida normal?

Uma vida com problemas, desavenças e brigas, óbvio.

E por que perdoamos apenas no natal, e não todos os dias?
Por que nossa família não se reúne periodicamente?
Por que o espírito de fazer o bem não permanece ao longo de todo o ano?

O natal me faz lembrar que nada disso acontece!

Pergunto novamente: o que tem de feliz o natal?

sábado, 14 de novembro de 2009

As aparências enganam

Há tempos recebo e-mails de arquivos e/ou fotos de igrejas evangélicas vs "metaleiros".
Forjadas ou não, uma coisa é certa: rola um certo preconceito para com as pessoas que curtem metal.

Com aparência de mal, os "metaleiros" são geralmente associados a seres das trevas, que não tomam banho e participam de rituais macabros. Muitos têm tatuagens e piercings, agravando ainda mais o problema da "primeira impressão".
Com as bandas de metal não é diferente. Culpadas por levar tantos jovens para o "lado obscuro", estas são vistas como o demônio em pessoa. Mas será que dentro desse "mundo metal" as coisas são assim?

Basta averiguarmos algumas letras de músicas...

Bandas como Kreator, falam de problemas sociais gerados pelo capitalismo em algumas de suas músicas, além de criticar o fascismo e o nazismo em alguns shows.

Já o Stratovarius tem uma música que fala sobre gerar dinheiro enquanto a inflação cresce, fazendo com que mais e mais pessoas fiquem miseráveis e morram de fome.

O grupo alemão Heaven Shall Burn, com uma postura bem esquerdista, em uma das músicas diz: "Pelos mais fracos dos fracos, pelos mais baixos dos baixos, minha voz pelos sem voz, meus punhos pelos inocentes. (...) Não há sepulturas para as milhões de criaturas torturadas, mas há uma sepultura em comum para nossas morais! (...)"

Citei apenas três bandas para não ficar muito extenso, mas poderia ter citado mais. Creio que com apenas essas da pra perceber que apesar da pose de "mal", os respectivos artistas defendem o que pra eles é essencial: o amor, a vida.

E as bandas satânicas?

Bem, antes de mais nada temos que entender que muitos desses músicos nem acreditam no diabo. São apenas ateus revoltados, que encontram na figura de um demônio a possibilidade de zombar daquilo que não acreditam; daquilo que mais odeiam. O próprio Tomas Araya, vocalista e baixista de uma das bandas que mais influenciaram o thrash metal (Slayer), admitiu em uma entrevista que crê em Deus, mas não segue nenhuma religião.

As pessoas religiosas pregam o perdão e a misericórdia, mas pecam logo de cara ao julgar sem conhecer.
Apesar de muitas das posturas adotadas pelos headbangers não se encaixarem no padrão conservador da sociedade, na minha opinião, estes pensam de maneira muito mais sensata e tem uma visão muito mais apurada do que é certo e do que é errado.

Abraços!

Até quando?

Ao saber da crise econômica, os líderes dos países mais ricos no mundo se reuniram as pressas para decidir o que fariam. A decisão foi usar dinheiro PÚBLICO para salvar os bancos.

Sabemos que mais de 1bilhão de pessoas passa fome no mundo. Trinta mil crianças morrem todos os dias (15milhões de mortos por ano). Nem guerras medievais matavam tanto!

Pois bem! Esse é o link das duas informações citadas acima: Se 1% do dinheiro gasto para salvar os bancos (isso mesmo, apenas 1%) fosse utilizado para comprar comida, conseguiríamos alimentar a todos no planeta!!

O pior de tudo, é que nenhuma mobilização referente a fome foi feita pelos líderes dos grandes países. Estão preocupados mesmo é com a fome de dinheiro deles próprios.

Até quando viveremos nisso?
Até quando vidas humanas serão tiradas para que poderosos fiquem cada vez mais ricos?
Até quando nos consideraremos superiores perante aos outros animais, sendo que nossas atitudes não demonstram tanta racionalidade?

Esse assunto é bem clichê e chato para muitos, eu sei. Mas é uma tecla que deve ser tocada várias vezes!

Abraços

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dia mundial sem carro

Hoje é o dia mundial sem carro. Provavelmente a chuva desencorajou bastante quem pretendia deixar o carro na garagem e ir trabalhar ou estudar utilizando sua bicicleta, transporte público, ou indo apé mesmo.

Numa cidade como São Paulo, com 11 milhões de habitantes aproximadamente, 6 milhões de carros é muita coisa. A cada 2 habitantes, mais de 1 tem carro.
Ando de trem e metrô quase todos os dias, e não sofro com o trânsito. Porém, conheço bastante gente que depende de seu veículo e sofre com os congestionamentos todos os dias

As facilidades de adquirir um carro são grandes. Basta ir à concessionária, financiar em 1000000 vezes e pronto. Qualquer um que trabalha e tem sobras no final do mês consegue comprar um veículo. Sem contar que no mundo capitalista, consumista e fútil em que vivemos, a aquisição de um carro é bem compreensível.

Quando falamos em congestionamento, devemos lembrar que o governo é que não investiu em transporte público, e ao invés disso, preferiu construir rodovias. Nessa mesma época, os europeus e nossos hermanos argentinos já tinham um grande sistema ferroviário. Por que não fizemos o mesmo? Atrair empresas gringas para o Brasil era prioridade. Qual empresa automobilística iria se instalar num país, se neste não houvesse rodovias para os carros andarem?
A ganância por lucro passou por cima dos interesses da maioria. A população veio em segundo plano. Éramos e ainda somos ferramentas. Servíamos e ainda servimos apenas para comprar, consumir. As idéias introduzidas em nossa mente nos estimulando a comprar são constantes.

Assistindo televisão esses dias, vi um comercial que me chamou atenção. Era uma propaganda de moto, creio que da Honda, com o seguinte slogan: Liberte-se. A expressão simboliza a independência - "Você com sua moto pode fazer o que quiser, ir aonde quiser, é livre, independente, não precisa pegar trem nem ônibus, basta comprar!".
Além disso, conforme consta no site http://www.apocalipsemotorizado.net/2006/12/01/gentileza-ou-egoismo/, pasmem, no próprio trem existe uma propaganda estimulando à compra de veículos. Com o slogan: "Seja gentil, libere seu lugar no trem", e uma mulher com uma chave enorme de carro na mão, o Banco do Brasil nos mostra uma grande irresponsabilidade social.

Espero que daqui pra frente a consciência dos governantes aumente um pouco. Não podemos nos contentar apenas com campanhas contra o fumo, enquanto a quantidade de carros vendidos se mantém altíssima todos os anos. Este ano por exemplo, mais de 1 milhão de novos carros estão circulando por SP. A conscientização das pessoas é fundamental. Na Europa por exemplo isso ja foi cogitado. Propagandas referentes ao prazer e às vantagens que um carro proporcionam iriam ser substituídas por propagandas informando a quantidade de CO2 emitido pelo carro a ser vendido.
Não digo nem ano que vem, mas tomara que num futuro próximo, as bicicletas e o transporte público sejam mais utilizados, a ponto de não precisarmos de um "dia sem automóvel"

Abraços

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sistema monetário - A farsa

Texto tirado de um dos melhores documentários que ja vi (zeitgeist addendum).

Por um acaso ja se perguntaram como dinheiro é criado? Talvez um dos sistemas menos compreendidos porém não menos importante pode nos dar a resposta.

O governo dos EUA precisa de 10 bilhões de dólares por exemplo. Ele então pede ao Banco Federal os 10 bilhões. O Banco responde "tudo bem, iremos imprimir 10 bilhões de dólares". O governo então adiciona símbolos a pedaços de papel e os chamam de "títulos do tesouro". Depois disso, aplicam a esses papéis o valor de 10 bilhões de dólares. Feito isso, trocam os papéis do título do tesouro pelas notas impressas pelo Banco Federal. Assim, o governo dos EUA tem em mãos 10 bilhões de dólares. Vale mencionar que após toda essa transação, o governo norte americano está devendo 10 bilhões de dólares ao Banco Federal, ou seja, o dinheiro é criado a partir de uma dívida

O que as pessoas normalmente fazem com dinheiro? Aplicam-no em um banco, é claro. E é exatamente isso que o governo faz. Ele leva os 10 bilhões recém criados e os deposita num banco. É ai que entra o sistema de "reserva fracionada". Funciona da seguinte maneira: 10% do que foi aplicado, fica como reserva no banco, e os outros 90% ficam disponíveis para empréstimos. Neste caso, 10% de 10 bilhões totalizam 1 bilhão. Normalmente alguém presumiria que esse 1 bilhão foi tirado dos 10 bilhões, restando então 9 bilhões. Porém, com o sistema de reservas fracionadas, o banco pega esse valor de 9 bilhões e o adiciona aos 10 bilhões ja existentes, totalizando 19 bilhões de dólares. Percebam que 9 bilhões acabam de ser criados do nada. Todo sistema monetário se baseia nessa prática fraudulenta de reservas fracionadas. Agora supondo que alguém pegue esses 9 bilhões emprestados no banco, e os deposite em outro banco. O sistema de reservas fracionadas entra em ação novamente. Desse 9 bilhões, 8.1 bi serão adicionados do nada aos nove bilhões iniciais. Seguindo esse mesmo caso várias vezes, percebemos que é possível criar 90 bilhões de dólares, com um depósito inicial de 10 bilhões.

Uma pergunta coerente: como esses novos bilhões criados do nada adquirem valor? Resposta: do dinheiro ja existente! Parece meio confuso, mas para facilitar a compreensão, um exemplo: 1 dólar em 1913 tinha o mesmo poder de compra de 20 dólares em 2007. Isso quer dizer que em 94 anos desde a criação do Banco Federal, o dólar desvalorizou 96%. O dólar vale cada vez menos. Quanto mais o tempo passa, menos podemos comprar com um dólar. A isso damos o nome de inflação.

Um item fundamental nesse processo que ainda não foi mencionado, mas é a chave de todo o fraudulento sistema monetário: os juros. Os 10 bilhões pegos pelo governo precisam ser pagos ao Banco Federal. Porém, não serão apenas 10 bilhões. Com os juros cobrados em cima desse dinheiro, o governo deve mais que 10 bilhões. E como irão conseguir dinheiro para pagar essa dívida? Pedindo mais alguns bilhões ao Banco Federal. Percebam que a partir daí temos um ciclo. Quanto mais dinheiro o governo pega, maior sua dívida com o B.F. Quanto maior sua dívida, mais dinheiro o governo pede, e assim sucessivamente.

Daí surge outra pergunta: se forem criados 10 bilhões de dólares, e posteriormente cobrados além desses 10 bi, mais 5 bilhões de juros, da onde o governo irá tirar esses 5 bilhões? Isto é, se todo dinheiro é criado pelo Banco Federal, e o mesmo cobra juros em cima desse dinheiro criado, onde está o dinheiro capaz de cobrir esses juros? Resposta: em lugar algum. Tenha certeza que se existe um dólar em sua carteira, também existe alguém em algum lugar do mundo que também deve 1 dólar. Se todo norte americano, inclusive o governo, pudesse quitar toda sua dívida, não haveria 1 dólar sequer circulando. O mais revoltante é pensar que com esse sistema de reservas fracionadas, a inadimplência é inevitável e, além disso, o dinheiro que nos foi emprestado surgiu do nada.

O sistema de reservas fracionadas que se espalhou pelo mundo todo é na verdade um sistema atual de escravidão. Pense nisso. O dinheiro é criado a partir de dívidas. O que as pessoas fazem quando estão individadas? Buscam um emprego para poder paga-las. Mas se todo o dinheiro só pode ser criado a partir de empréstimos, como a sociedade vai ficar livre de dívidas algum dia? Resposta: ela não pode! Ou seja, estamos condenados a competir por trabalho pelo resto da vida. Somos escravos econômicos! Para que realmente trabalhamos? Para os bancos. O dinheiro é criado lá, e inevitavelmente volta para lá.

Pense com cautela em tudo o que foi aqui mencionado, e o mais importante, não se desespere. Essa luta travada entre os poderosos e o povo foi travada há muito tempo, e tem data para terminar. Lute!

Abraços